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6.11.12

O Deserto de Sal do Kalahari

Deserto de sal Makgadikgadi - Kalahari Central
Todas as Primaveras, movidos por um relógio biológico que pulsa em uníssono, milhares de espécies iniciam uma verdadeira odisseia, percorrendo centenas, por vezes, milhares de quilómetros nas grandes migrações. Norteados por uma força genética instintiva, todos convergem para um zénite, como se aí se operasse uma revelação, a epifania do "vale encantado",ou aquele lugar por detrás do arco-íris, com a abundância bíblica das terras onde corre o leite e o mel. Como em todas as formas cénicas, a pulsação natural tem também aqui a sua quota parte de tragicomédia. Onde existe vida e esperança, existe também desespero e morte. Onde se antecipa a tranquilidade de um campo de papoilas de Monet, em Argentail, também se vislumbram imagens de destruição de Goya, e a loucura alucinada de Saturno. É nesta medida pendular dos dois extremos que se compreende a tenacidade inabalável de qualquer migração. A secura, a aridez e a desertificação, geram um sentimento nómada de convergência para os locais onde emergem os sinais de sobrevivência. Mesmo que a travessia seja feita à imagem da Via Dolorosa, com todas as Estações, até chegar à Igreja do Santo Sepulcro. É assim a travessia dos elefantes do Mali, quando cruzam o Sahara, dos gnus quando viajam do Quénia para a Tanzânia, das águias e dos falcões peregrinos quando voam do Mississipi para o Canadá e o Ártico. No entanto, poderá parecer estranho quando uma espécie se predispõe, repetidamente, a fazer o contrário. Partir das terras paradisíacas, do Delta do Okavango, para as planícies de pedra e sal do Deserto do Kalahari, parece, à priori, configurar a tragédia absoluta, naquela forma dramática dos seres niilistas que preferem ir ao encontro da tortura e da morte, ao invés de permanecerem na tranquilidade dos prados verdes. Se ficarmos atentos, acabamos por perceber a razão. Aparentemente inóspito, branco da cor do sal, vazio, violento e infinito como o silêncio onde só se ouve a pulsação e a própria respiração, o deserto de sal do Makgadikgadi, no Kalahari, é um óasis de sobrevivência para inúmeras espécies. Aves de grande e pequeno porte, flamingos, zebras e outros mamíferos, indiferentes às dificuldades do percurso, procedem a uma longa viagem migratória com o objectivo de ingerirem os minerais depositados no sal, essenciais à sua constituição, à biodiversidade e ao equilibrio ecológico da região. Perfeitamente adaptados à aridez do local, permanecem aí até às primeiras chuvas, altura em que o seu relógio biológico se apressa a ditar-lhes nova migração até ao Delta do Okavango. O regresso, será efectuado sempre, ciclicamente, na próxima estação.

6.12.11

A Cimeira de Durban



Os avanços não têm sido significativos, nas duas últimas décadas, em relação às medidas contingentes de protecção do meio ambiente e de preservação dos reservatórios florestais do planeta. A finalizar o Ano Internacional das Florestas, Durban, na Àfrica do Sul, está a ser palco, durante 2 semanas, de mais uma Cimeira Internacional, a qual não se iniciou com bons auspícios de mudança dada a situação económica mundial que nada abona na disponibilização de verbas para os temas do meio ambiente. Contudo, os parceiros mundiais insistem na concertação mundial relativamente à redução de emissão de gases poluentes e na criação de medidas que obstem à destruição das florestas tropicais.
Há duas semanas o Jornal i avançava com um estudo sobre algumas das causas e efeitos do aquecimento global no planeta. Ontem, a Nature fazia um balanço dos avanços e recuos.

A devastação florestal anual é  responsável por 15% do aumento mundial de emissão de gases atmosféricos poluentes. Em Durban, as propostas que ganham terreno, são as que sugerem transferência de verbas da “prevenção” para a “gestão” das florestas, nos países em vias de desenvolvimento. O objectivo é procurar compromissos quanto aos limites anuais de desflorestação de cada país, criando quotas que deverão ser respeitadas a nível de toda a comunidade internacional. Procura-se encontrar o equilibrio entre os recursos naturais existentes e as populações que, do ponto de vista socio-económico encontram na floresta o seu meio de subsistência.
Segundo referia ontem, John O. Niles, director do “Tropical Forest Group” de São Diego, "a Cimeira de Durban apresenta um avanço, em relação às Cimeiras anteriores, uma vez que instituiu a cada país a obrigatoriedade de informação das quotas anuais de desflorestação, o que pode representar um futuro promissor em matéria de gestão e sustentabilidade dos recursos florestais existentes. A expectativa mantém-se para os próximos dias de negociações.
Mancha florestal em 2005

8.6.11

8 Junho - Dia Mundial dos Oceanos


Rasga o vento por dentro das ondas, perdido entre as sombras que rodopiam livremente na fronteira dos teus dedos. Solta clamores de alegria, para além dos mares longínquos, viajando até às ilhas afortunadas onde te esperam grandes amigos. Liberta a voz na tempestade e deixa que transbordem todas as encostas da nascente ao acaso. Alonga a linha do horizonte com a seta que faz parar o tempo e procura nos contornos do mar o pensamento que se molda aos estribos de aço dos teus medos. Desfaz todas as nuvens que se adensam. Inicia uma partitura que cheire a feno cortado e por fim, coloca o teu barco a navegar mareando por entre águas tranquilas, tendo como pano de fundo o crepúsculo da tarde. CRV©

22.4.11

Dia Mundial da Terra - DNA's Resistentes


O Dia Mundial da Terra, teve a sua origem no ano de 1970, quando o senador norte-americano Gaylord Nelson resolveu realizar um protesto contra a poluição originada pela catástrofe petrolifera de Santa Barbara, na Califórnia, no ano de 1969. Inspirado pelos protestos dos jovens norte-americanos que contestavam a guerra, Gaylord Nelson, desenvolveu esforços para conseguir colocar o tema na agenda política norte-americana. A população aderiu em força e mais de 20 milhões de americanos manifestaram-se a favor da preservação da Terra e do ambiente. Desde essa data, no dia 22 de Abril milhões de cidadãos em todo o mundo manifestam o seu comprimisso na preservação do ambiente e da sustentabilidade da Terra. Em 1990 Denis Hayes alargaria a intervenção da iniciativa para o plano internacional com a adesão de 141 nações ao projecto de conservação do Planeta. Presentemente, o Dia Mundial da Terra é coordenado pela “Earth Day Network” e é celebrado em mais de 175 países todos os anos.

25.3.11

Earth Hour - 20.30 - Saturday 26th March

Zimbabwe - Fotogr CRV
No próximo Sábado milhões de pessoas, espalhadas por mais de 130 países, vão aderir à causa ambientalista que, desde 2007, moveu países espalhados pelos quatro cantos do planeta, desde os Estados Unidos à Austrália, passando pela França, Dubai, África do Sul, Tailandia, Hong Kong, India e muitos mais. A campanha destina-se a apelar à consciência cívica de modo a convergirem interesses a nível mundial quanto à defesa das causas ambientalistas. Em causa está o consumo de energia eléctrica, mas subjacente a todo o projecto, estão as questões que se prendem com o papel que cada um de nós poderá ter de modo a promover um ambiente mais sustentável garantindo um futuro no Planeta onde as condições de habitabilidade não colidam com o declíneo da biodiversidade, da qualidade da água ou com o número crescente dos índices de reciclagem a nível mundial. Vi em Fevereiro uma notícia na Nature sobre o Great Pacific Garbadge Patch que não é mais do que uma ilha flutuante de 3,5 milhões de toneladas de plásticos que se encontram à deriva no Oceano Pacífico com uma dimensão 2 vezes superir ao Estado do Texas. Responsável, diariamente, pela morte, de mais de 560 animais marinhos, esta lixeira, não sendo biodegradável é, contudo, desintegrável, o que significa que as pequenas particulas plasticas acabam mais tarde ou mais cedo por se introduzirem na cadeia alimentar por ingestão das mesmas por parte do pescado comestível que cai nas malhas das frotas pesqueiras. Este ano, solicita-se a todos que, no próximo Sábado, pelas 20.30 (ARDT) nos manifestemos, seja de modo largo, seja em privado, mas tomando uma iniciativa que por mais pequena que seja se revele representativa de uma vontade em uníssono de promover a sustentabilidade ambiental do Planeta. Os patrocinadores da iniciativa revelaram que a mesma tem apenas um carácter persuasório dado que, para ter um impacto verdadeiramente eficaz teriamos que desligar todos os ares condicionados do planeta, reduzir ao mínimo o consumo das instalações industriais, dos projectores de alta-voltagem que iluminam as ruas, os edifícios, as pontes e estradas. Aproveitando a proposta lembrei-me daquele Verão em que me sentei à volta da fogueira, no Livingstone National Park, no Zimbabwe e que, apenas com a luz das estrelas e do fogo crepitante de toros gigantes a arder, achei, de uma vez por todas, que era uma benção não ter por perto qualquer instrumento que me trouxesse a luz da civilização aos recantos obscuros da savana.

6.2.11

National Geographic - The Last Lions

A proposta da National Geographic pareceu-me irrecusável, não só pela forma simples em como nos podemos envolver numa boa causa como pelo tema que, em si, é cativante. O mote é dado: por cada visualização deste "trailer" a National Geographic promove uma doação de 10 USD para a conservação dos grandes felinos do Botswana. Participe activamente, divulgando o trailer pelos seus contactos. Segundo a National Geographic, as contribuições podem chegar aos 100.000 USD. De que é que estamos à espera para começar a ver e a rever "The Last Lions"?

17.1.11

Bornéo - Ainda vamos a tempo?

Quando, em Outubro de 2009, regressei de uma viagem ao Borneo não pude deixar de manifestar aqui a minha estupefação relativamente às politicas de desertificação florestal adoptadas pelo governo malaio. Legisla-se o absurdo, privilegiando a erradicação da floresta virgem, e a consequente destruição de habitats naturais, em benefício de interesses económicos vocacionados para a exploração do combustível do futuro: o óleo de palma. Segundo o governo malaio, o país entrou na corrida para a liderança mundial das energias vegetais, alternativas às energias fósseis. A desflorestação, para a plantação de palmeirais, tornou-se uma prioridade nacional. O projecto megalómano é responsável, entre 1995 e 2000, pela redução de 86% da floresta virgem do Borneo, veja-se aqui com a consequente redução da biodiversidade, em percentagens que rondam os 80 a 90%. Destas estatísticas acrescem ainda os danos colaterais provenientes do uso indiscriminado de pesticidas, das queimadas - que se sucedem a um ritmo vertiginoso -, do desvio dos cursos de água e da inexistência de corredores florestais ao longo dos rios, que permitam a mobilidade dos primatas. Todos estes  factores são determinantes na pulverização da vida selvagem deste ecossistema. A degradação do habitat promoveu, em 2009, um colóquio no Shangri-la Rasa Ria Resort, em Sabaha, entre representantes da indústria do óleo de palma e cientistas que se dedicam ao resgate e conservação de orangotangos do Bornéo. Como seria de esperar o colóquio apenas insuflou mais uns sacos de vento que foram atirados para o ar entre os croquetes e os cocktails dos gestores das indústrias transformadoras do óleo de palma. Confrontei-me hoje, por casualidade, com este pedido de adopção inédito cujo patrocínio, assegurado pelo World Wide Fund, é sinónimo de garantia e credibilidade. Apesar da iniciativa ser a todos os níveis louvável questiono-me qual a utilidade da mesma face a uma política governamental que não cede perante interesses económicos que, indubitavelmente, falam mais alto do que as causas ambientalistas. Por outro lado, é conhecida a falta de ecos profiláticos que emanam das Conferências Internacionais sobre biodiversidade e alternativas ecológicas, facto que me faz acreditar que, dentro de 50 anos, o último espécime de orangotango do Bornéo esteja empalhado no Museu de História Natural de Londres para, aí sim, todos podermos apreciar o primata extinto que tinha 96,4% de genes idênticos ao da espécie humana. Apesar do pessimismo, ganharam uma patrocinadora.
Malásia - Bornéo - Kinabatan River
Fotogrs: CRV

15.6.10

Jacques Cousteau e as 20.000 léguas submarinas

Lembro-me do “opening shot” que começava com 5 mergulhadores a descerem a pique para as profundezas do oceano. Garrafas de oxigénio amarelas, barbatanas gigantes e tochas fascinantes que ardiam dentro do mar soltando grandes bolhas que enchiam o ecrãn do televisor. Era o Mundo Secreto de Jacques Cousteau que passou a ser também um pouco o meu mundo. Aos fins de semana alguém gritava da sala: “Já começouuu!” e eu corria para a frente da televisão para não perder um segundo do documentário que me trazia o mar para dentro de casa em ondas que me rodeavam de cardumes de peixes coloridos, anémonas e algas gigantes. Polvos, búzios, tubarões, mantas, baleias, tesouros perdidos, e aquele barco Calypso, com nome de deusa do mar, com um capitão na proa que observava a linha do horizonte procurando novas aventuras que se escondiam para lá do pôr do sol. Foi Jacques Cousteau o responsável pela minha grande paixão pelos temas do mar. A ele devo a capacidade de mergulhar nas profundezas e a tomada de consciência para as causas ecológicas e para a defesa de um património genético que apresenta, actualmente, índices alarmantes a nível da taxa média de extinção das espécies. A semana em que se comemorou o Dia Mundial dos Oceanos (8/6) e o 100º aniversário do nascimento de Cousteau (11/6), ficou ensombrada pelo maior derrame de crude de todos os tempos. Segundo as novas projecções o derrame do Golfo do México irá superar as três maiores catástrofes ecológicas relacionadas com o crude: o poço de petróleo IXTOC I, situado na Baía de Campeche no México, em 79, o Exxon Valdez, em 89 no Alaska e os incêndios dos poços petrolíferos do Koweit, ocorridos durante a Guerra do Golfo. Documentação, hoje divulgada, revela que as vistorias, levadas a cabo por organizações ambientalistas, classificavam a estrutura petrolífera, onde ocorreu o acidente, como "um pesadelo" com sérios riscos de "poder gerar em breve uma catástrofe". As piores previsões confirmaram-se. Contra os montantes derramados, inicialmente avançados pela BP, na ordem dos 5.000 barris/dia, foram agora estimados, por fontes oficiais, cerca de 40.000 barris/dia. A manterem-se as projecções actuais, as consequências, a nível do impacto ambiental, serão piores que as do Exxon Valdez que, 20 anos passados, permanecem entranhadas no fundo do mar e nas costas do Alaska, assistindo o mundo inteiro aos esquemas esquivos e de desresponsabilização da ExxonMobile. Jean-Michel Cousteau, numa entrevista efectuada pelo 100º aniversário do nascimento do seu pai, declarou que : "Jacques Cousteau "would be heartbroken" at our seas today". Passando os olhos pelos sites ambientalistas sucedem-se as referências aos acidentes ecológicos, seja sob a forma de derrames de crude, seja sob o espectro dos subornos efectuados pelo Japão com o intuito de angariar apoios para a manutenção das suas quotas de caça à baleia. Nas cimeiras internacionais, permanece a dificuldade em sobrepor interesses comuns aos interesses económicos de cada país, negligenciando-se a prevenção das alterações climáticas e a protecção da biodiversidade. Posto isto, valham-nos as recentes descobertas de 9 espécies de peixes com membros anteriores, ou as novas propostas do ministro dos negócios estrangeiros da Dinamarca, Lene Espersen, que visam interditar, pelo período de 10 anos, a caça à baleia nas águas territoriais das Ilhas Faroe. Jacques Cousteau, o capitão visionário, o homem que personifica um legado em defesa do meio ambiente, deixou-nos memórias fabulosas que merecem aqui ser recordadas, no ano em que se comemora o 100º aniversário do seu nascimento.


22.5.10

Dia Mundial da Biodiversidade

Malasia - Borneo - Orangotango (espécie ameaçada) - Fotogr: CRV©
O alerta foi dado em 2004 quando um estudo científico, publicado na revista “Nature”, estabeleceu uma projecção, até ao ano 2050, sobre os possíveis impactos das alterações climáticas no conjunto de mamíferos, aves, anfíbios, répteis, borboletas e outros invertebrados, em seis zonas ricas do planeta. O resultado? A manter-se a curva ascendente de emissão de gases poluentes, a destruição de florestas, a pulverização de habitats naturais e a produção agrícola e pesqueira intensivas, cerca 15% a 37% da biodiversidade do nosso planeta extinguir-se-à até àquela data. Mas o assunto não era novo. Desde os anos 70 que “A Biodiversidade e as alterações climáticas” foram temas que ganharam espaço e projecção entre ambientalistas, lideres políticos e cidadãos em geral, criando uma consciência colectiva relativamente à ameaça que paira sobre as mais de 11.046 espécies, catalogadas no ano 2000, que correm sérios riscos de extinção.
Africa do Sul - Kruger Park - Southern Ground Hornbill (espécie ameaçada) - Fotogr: CRV©
Retrospectivamente, as quatro últimas décadas foram repletas de intenções, cimeiras, declarações concertadas, tratados e protocolos, com destaque para a Cimeira da Terra (92), o Tratado de Maastricht (92), o Tratado de Amesterdão (97), o Protocolo de Quioto (97) e a Conferência de Copenhaga (09). Comum a todas foram os avanços tímidos e a fraca adesão dos países mais poluidores. É o caso dos Estados Unidos, o segundo maior emissor mundial de gases causadores do efeito de estufa, que se auto excluíu da ratificação do Protocolo de Quioto, alegando razões de instabilidade interna da sua economia, lançando o acordo num marasmo sem resolução. Quanto aos países em vias de desenvolvimento, a falta de homogeneidade das suas políticas e os diferentes estadios de desenvolvimento obstam a qualquer tipo de calendarização que promova a inversão do cenário negativo. O futuro não parece promissor. Nem sequer quando nos socorremos da teoria da selecção natural das espécies, preconizada por Darwin. É que, podendo essa teoria constituir um óptimo álibi para justificar mutações, evoluções e extinções, o facto é que, confrontados com a extinção diária, em média, de 130 espécies, verificamos que esse número se encontra 1000% acima da taxa de extinção em circunstâncias ditas “normais”. A solução do problema redirecciona-nos para o comportamento do homem erectus dos nossos dias. Passei os olhos pela net e fui à procura dos últimos números. Deparei-me com uma red list, versão 2009, que aponta para índices alarmantes em quase todos os países do mundo. Em Portugal, 159 espécies encontram-se ameaçadas, com particular destaque para o famoso lince ibérico que, segundo se estima, não contará com mais de 50 indivíduos em todo o país, distribuídos pelas Serras da Malcata, Monchique e Caldeirão e 1500, ao todo, na Península Ibérica.
Portugal - Oceanário de Lisboa - Fotogr: CRV©
Comemora-se hoje o “Dia Mundial da Biodiversidade” e 2010 foi declarado pelas Nações Unidas como o “Ano Internacional da Biodiversidade”. Dos eventos previstos para este ano, destaco a nível nacional as conferências patrocinadas pelos cafés Nabeiro no Alentejo, colóquios e plantações de árvores por todo o país. Contudo, não encontrei qualquer medida que se identifique com a delimitação de espaços, criação de barreiras naturais ou um retrocesso na decisão de construção da barragem do Rio Sabor, que irá promover a destruição de um número significativo de habitats naturais. Cumpre aqui aplaudir a iniciativa do Reino Unido que teve a coragem de constituir nas suas águas, em pleno Oceano Índico, a maior reserva marinha do mundo, com 544.000 Km2, composta pelas 55 ilhas que formam o Arquipélago Chagos, local onde se encontra o maior recife de coral do planeta e um dos mais ricos ecossistemas marinhos do mundo. Em termos futuros, resta-nos a esperança da mudança e da concertação entre as nações, em prol da comunidade em geral. Caso assim não seja, talvez as últimas descobertas no campo da genética dispensem preocupações de maior. É que, se até há poucos anos a criação de células artificiais parecia apenas ser possível nos livros de Isaac Asimov, hoje em dia, antevejo, com a maior naturalidade, o redesenho do genoma do "Tiranossaurus Rex" e a sua colocação no primeiro Parque Jurássico que, certamente, será inaugurado para o efeito. A acontecer, as questões ambientais ficarão circunscritas à mera troca de impressões sociais, entre um croquete e um gin tónico, lá pelo meio dos cocktails que geralmente circundam o "ambiente" das Cimeiras. Fotogr: CRV©
Aos curiosos, sugiro o filme oficial das NU.



16.5.10

London - The "Cocoon"

Situado na Cromwell Road, ali mesmo no centro de Londres, o Museu de História Natural é visita obrigatória para os interessados nos temas relacionados com a evolução das espécies, a selecção natural, a biodiversidade ou o futuro dos últimos habitats naturais. Numa mostra fabulosa, composta por mais de 70 milhões de items, a exposição fixa de Botânica, Mineralogia, Entomologia, Paleontologia e Zoologia teve a sua origem num laborioso processo de agregação de várias colecções particulares - a primeira das quais datada do século 17, elaborada por Sir Hans Sloane, médico naturalista e coleccionador -, sendo posteriormente adicionada com inúmeros espécimes provenientes das diversas expedições efectuadas aos quatro cantos do mundo. Mas, desta vez, não foi a exposição fixa que cativou o meu interesse. Nem tão pouco o esqueleto do gigantesco “Diplodocus”, suportado por arames, que guarda imponentemente o hall de entrada do Museu. É que, apesar da enorme dentadura canina, permanentemente arreganhada, daquelas que nos obrigam a amparar as criancinhas, a verdade é que lendo a papeleta do animal rapidamente concluímos que não só não mordia como não fazia mal a uma barata, pois o bicho era de raça herbívora. Mas, não foram estas as razões que me trouxeram desta vez ao museu de História Natural, mas sim algo profundamente inovador. Desde o final de 2009 que se anunciava uma nova ala revolucionária no museu a que deram o nome de “Cocoon”. Feita em estrutura de vidro e aço, atingindo a altura de um oitavo andar e com um custo estimado em 78 milhões de libras, o novo Centro de Investigação “Charles Darwin” encontra-se imaculadamente integrado no edifício vitoriano passando completamente despercebido aos mirones exteriores. O centro, dotado de condições de climatização ideais foi equipado com o state of the art em termos de audio-visuais e equipamentos científicos. Aqui nada foi tido ao acaso. Reformularam-se os processos de conservação de alguns milhões de espécimes animais e vegetais. Transportaram-se os cientistas até ao grande público, mediante a criação de laboratórios transparentes. Desmistificaram-se as tarefas a montante da exposição mediante um criterioso processo audiovisual a que os visitantes podem aceder. No cômputo geral a visita é excelente, dando jus ao facto de o centro se encontrar, presentemente, entre as 5 maiores atracções do Reino Unido. No ano em que as Nações Unidas declararam 2010 como “O Ano Internacional da Biodiversidade” é de louvar a inauguração do centro de investigação mais moderno do mundo que versa, precisamente, sobre o tema a que Stavros Dimas, Comissário Europeu do Ambiente, se referiu como "uma prioridade essencial para o futuro da Humanidade".

Fotogrs: CRV (excepto Hall)

Aos interessados, sugerimos a consulta do site do Museu.

26.10.09

Conferência de Copenhaga

Bornéo - Parque Natural Kawasan - Floresta virgem
A conferência das Nações Unidas, para as questões climáticas, agendada para os próximos dias 6 a 18 de Dezembro, em Copenhaga, poderá estar em risco, no que toca à concretização dos seus objectivos. Esta conferência surge na sequência dos acordos de Quioto e dos esforços levados a cabo, nos últimos dois anos, junto dos diversos lideres mundiais, com vista a travar a desflorestação e a emissão de gases tóxicos, responsável por 20 % das emissões globais de gases de efeito estufa. Não me surpreendeu a notícia que dava conta que mais de 100 nações mundiais estavam prontas para subscrever este acordo, mantendo-se, contudo, à margem as nações ditas industrializadas, Estados Unidos e União Europeia. O acordo de Copenhaga pretende agregar todos os líderes mundiais no cumprimento do objectivo de compromisso que visa, até final de 2010, atingir a “desflorestação nula” proposta pelo WWF. Isto significa, compensar todas as áreas desflorestadas plantando proporcionalmente novas árvores.
Bornéo - na estrada - palmeirais
Nas minhas viagens por esse mundo fora confrontei-me, diversas vezes, com situações de desflorestação absolutamente dramáticas. Recordo as áreas circundantes de Joanesburgo e do Kruger Park, que me impressionaram pela ausência de qualquer tipo de vegetação, pela ausência de uma única árvore na paisagem, procedendo a população a rituais de queimadas que deixavam a descoberto uma paisagem desoladora. Recentemente, no Bornéu, fiquei perplexa com a substituição maciça da floresta virgem por extensões inacreditáveis, a perder de vista, de palmeirais. O óleo de palma é, presentemente, a segunda maior fonte de riqueza da ilha, estando tudo a postos para que a sua utilização seja convertida num substituto do petróleo. Fiquei estupefacta, no mínimo, quando tomei conhecimento do compromisso que as entidades locais estabeleceram com o Governo: a desflorestação é autorizada desde o momento que, em cada área visada, se mantenha 10% da floresta virgem. Assim, rapidamente, e foi essa a sensação que tive, em cada 90 Km de palmeirais, ao longo da estrada, ao fim de uma hora de viagem, passavamos por 10 Km de floresta virgem. Não consegui evitar uma pergunta ingénua, para mim mesma: para onde foram todos os animais? Fotogr: CRV