21.9.11
Turquia - Ephesus - A Biblioteca de Celsus
29.1.11
Agnes Keith - "Three Came Home"
25.11.09
Did you ever...
16.11.09
Holocaust - How it Was
"Renuncio a fazer perguntas, (...) Mas não descanso; sinto-me ameaçado, traído, a cada instante pronto para me contrair num espasmo de defesa. (...) Em redor, tudo nos é hostil. (...) Na marcha de saída e de regresso nunca faltam os SS. Quem poderia negar-lhes o direito de assistir a esta coreografia que eles próprios quiseram? (...) A faculdade humana de cavar um nicho para si, de segregar uma carapaça, de levantar à sua volta uma ténue barreira de defesa, mesmo em circunstâncias aparentemente desesperadas, é espantosa e mereceria um estudo aprofundado. Trata-se de uma preciosa capacidade de adaptação, em parte passiva e inconsciente, em parte activa (...) estipular pactos tácticos de não agressão com os vizinhos; intuir e aceitar hábitos e as leis (...) Então nasce dentro de mim uma pena desoladora (...) é uma dor no seu estado puro, não temperada pelo sentido da realidade, pela intrusão de circunstâncias estranhas (...) Como entender tanta cegueira e tanta desumanidade? E como interpretar os resultados da discricionariedade pura? (...) apesar do reduzido número de sobreviventes, foram registados muitos testemunhos (...) Primo Levi in "Se Isto é Um Homem"
Primo Levi é um dos poucas sobreviventes dos 3 milhões de judeus assassinados em Auswitch. Contra todas as expectativas preconizadas pela "Solução Final", Primo Levi sobreviveu para testemunhar as atrocidades do maior campo de extermínio que alguma vez existiu na História da Humanidade. O seu relato objectivo reflecte a sua luta diária pela sobrevivência, num meio hostil, onde princípios, valores e o próprio homem, nada contam. Primo Levi relata com uma clarividência admirável o processo premeditado, sistemático, incisivo, persistente e continuado que se arrastou, durante quase dois anos da sua vida, no campo de trabalhos anexo a Auswitch. Em todos os livros que tenho lido sobre o tema, em nenhum consegui encontrar respostas para as questões que qualquer ser humano, dotado do bom senso do "bonus pater familias" colocaria. Retiro, de todas estes contributos históricos, apenas os objectivos nazis: a atomização da sociedade judaica, a supressão de todas as liberdades passíveis de um ser humano usufruir, a constituição de guetos físicos e espirituais, a destruição aleatória de testemunhas, a atrocidade cruel de silenciar pessoas. Em nenhum livro encontrei resposta para o problema que abalou o início dos anos 30. A erradicação dos judeus da vida pública alemã, as perseguições, a segregação. O culminar dos acontecimentos na famosa Noite de Cristal, em 39, quando mais de 500 mil judeus foram obrigados a fugir do país. A que é que se deveu toda esta segregação? Porquê os judeus e não os romenos, ou os russos, ou os italianos? Seria porque detinham a maior parte do capital? Por razões religiosas? Pura ostracização? Ódio?
Quanto às imagens da "Lista de Schindler", não são imagens reais. Da época. É apenas uma ficção. Ficção essa que, alguns meses após a sua estreia, levou Spielberg a confessar que tinha sido o filme que realizou que mais profundamente tinha afectado a sua vida. Contudo, trata-se só de uma ficção.
15.11.09
Kabbalah
Israel, próximo destino. Como já é hábito, inicio a preparação para estas viagens com a motivação de sempre. Leituras sobre a história e a geografia do país. Neste caso particular, aprofundo aquilo que conheço desde sempre como Cabala mas só após algumas leituras fico a conhecer, com outro detalhe, do que se trata. A Cabala, afasta-se aqui da terminologia ocidental, entendida como intriga perversa ou trama, pois para essa terminologia estamos devidamente alertados desde sempre. Falo antes da Cabala ou Kabbalah como meio de potenciar cada ser humano e elevá-lo, na sua grandeza interior, com o propósito de trazer clareza, compreensão e liberdade à sua vida. Tendo subjacente a ideia que todo o ser humano é uma obra em execução, a Cabala refere-se aos sucessivos estados da alma dizendo que são meros momentos transitórios de um projecto final a que estamos adstritos. Esse projecto final, terá como último objectivo a libertação do domínio do ego humano, criando afinidades com Deus. Quando li estas prerrogativas sobre a Cabala lembrei-me do "Albatroz Azul", o novo livro de Ubaldo Ribeiro, escritor que tanto gosto. É interessante o facto de Tertuliano, homem de idade avançada, que já deixou de ter medo do tempo, procurar encontrar explicações para o sentido da vida. Este livro fala-nos da continuidade, da herança que herdamos dos nossos antepassados e que pretendemos transmitir aos nossos filhos. Ao longo da vida, é comum reflectir e procurar justificações para os nossos diferentes estados de alma, que não dependem de nós, apenas as acções que adoptamos funcionarão como seus condicionadores. Julgo que é no momento em que olhamos para os nossos filhos, que encontramos respostas para o sentido da vida a que nos propusemos. Somos absolutamente livres de especular infinitamente. Com a liberdade que o pensamento admite e a misantropia própria de cada um. Não deixa de ser bom sonhar e, certamente, não é crime. Como nos diz Borges "o cego vive num mundo incómodo, indefinido, do qual emerge alguma cor. Eu, vivo num mundo de cores e quero contar, em primeiro lugar, que se falei da minha modesta cegueira pessoal, o fiz porque não é uma cegueira perfeita em que pensam as pessoas; (...) O meu caso não é especialmente dramático. É dramático o caso dos que perdem bruscamente a vista: trata-se de fulminação, de um eclipse, mas no meu caso esse lento crepúsculo começou quando começei a ver".28.10.09
Um guerreiro "Murut" em Nova Iorque
in "Land Below the Wind" de Agnes N. Keith - Fotogr: CRV
21.10.09
Borneo - The Land Below the Wind
Sem dúvida, foi com alguma emoção que visitei, perto de Sandakan – cidade localizada na costa este do Borneo, na província do Sabah - a lindíssima casa de estilo colonial, onde os Keith viveram, durante mais de 20 anos. Preservada, hoje, como museu, as suas portas estão abertas ao público, mantendo o estilo da época e alguns dos objectos pertencentes aos Keith. Agnes casou com o britânico Harry Keith, nomeado, pelo Governo de Sua Majestade, conservador das florestas do Bórneo. É da sua transição entre Hollywood e a sua adaptação ao Bornéu que este livro nos fala. E, fala-nos de uma ilha perdida no fim do mundo, a que Keith apelidou “Land Below the Wind”. A ilha do Borneo encontra-se estrategicamente excluída da fustigada rota de furacões que, anualmente, assolam todo o sudoeste asiático.