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18.5.11

Urban Hawks


Os falcões de cauda vermelha, apesar de constituírem uma espécie ameaçada, ainda são das aves de rapina mais comuns na América do Norte. Podemos observá-los desde os territórios do Alaska até ao sul da Flórida e América Central. O seu habitat é variado. Desde as grandes florestas aos desertos remotos, das regiões costeiras aos campos agrícolas, das escarpas rochosas às florestas sub-tropicais. Sem um habitat propriamente definido, o falcão de cauda vermelha foi regenerando a sua capacidade de adaptação a novos ecossistema à medida que os seus habitats naturais davam lugar a comunidades urbanas.
Mas, por vezes, a capacidade de adaptação destas aves de rapina pode ser surpreendente. E, foi precisamente o que aconteceu há umas semanas quando um casal de falcões de cauda vermelha decidiu instalar o seu ninho no parapeito da janela de um arranha-céus em Nova Iorque, localizado na Washington Square. O ninho feito com alguns troncos e elementos urbanos insólitos foi o lugar de nidificação de 3 expectantes ovos. Localizado num 12º andar, no edifício da universidade de Nova Iorque é possível acompanhar as actividades diárias de Violet, Bobby e a cria, através de uma câmara, instalada pelo NYT. No passado dia 6 de Maio os níveis de audiência atingiram o seu recorde quando um dos três ovos eclodiu, expondo uma cria branca, felpuda e com um apetite foraz, que come, diariamente, até 1/3 do seu peso. 
Mas não é só em Nova Iorque que os falcões de cauda vermelha decidiram tornar-se urbanos. Em Philadelphia a história já tem 3 anos e teve início quando um casal de falcões adoptou a janela do 3º andar do Franklin’s Institute e aí permaneceu desde então. Pelo terceiro ano consecutivo os três ovos eclodiram, repetindo-se o nascimento de 3 crias. As fotografias dos anos anteriores, desde o nascimento até ao seu primeiro voo, podem ser vistas aqui . Também com direito a transmissão LIVE, o dia a dia da famíla, agora com cinco elementos, pode ser acompanhada pela câmara colocada por cima do ninho. A tomarem-lhe o gosto não haverá que recear a perca de habitats naturais pois os falcões de cauda vermelha parece que têm uma capacidade de adaptação plena aos ruídos urbanos o que a torna numa nova espécie ameaçada, denominada de URBAN HAWKS.
Fotogrs: NYT, AP e Kay Meng (Philadelphia)

13.2.11

Galileo Galilei - A defesa do heliocentrismo e o processo do Santo Ofício

Neste dia, 13 de Fevereiro de 1633, o astrónomo Galileu, acusado de heresia pelo Vaticano, foi forçado a declinar as suas convicções científicas, renunciando à tese heliocêntrica. Os autores medievais aceitavam que a Terra era redonda, acreditando no geocentrismo estruturado por Aristóteles e Ptolomeu que preconizava que a Terra estava parada no centro do universo e os outros corpos orbitavam em círculos concêntricos em seu redor. O modelo era aceite pela Igreja Católica, que sempre aceitou os modelos científicos da cada época, desde que não colidissem com a verdade e a fé revelada. 50 anos antes de Galileu, em 1514, já Copérnico havia veladamente aflorado a teoria heliocêntrica, divulgando nos meios académicos um modelo matemático que justificava a tese de que a Terra, e os outros corpos celestes, giravam em redor do Sol, fazendo referencia a manuscritos medievais, elaborados por monges copistas,  que já haviam adoptado o heliocentrismo. Copérnico publica inclusivamente uma obra com uma nota introdutória onde explicava que o modelo apresentado devia ser interpretado apenas como uma ferramenta matemática que simplificava o cálculo das órbitas dos corpos celestes e nunca como uma descrição da realidade, facto que o poupou da acusação de heresia. Galileu teria contra si a coincidência de um período atribulado da Igreja Católica, a braços com a Contra-Reforma e as novidades preconizadas no Concilio de Trento, que viria enfatizar os dogmas tradicionais e a intervenção fiscalizadorada da Igreja nos meios sociais e cientificos europeus. Apesar de na Idade Média, muitos teólogos já terem reinterpretado as escrituras, o Concílio de Trento, hoje considerado um retrocesso na filosofia eclesiástica, passou a condenar todas as teorias revolucionárias que desafiavam a fé da Santa Igreja. Galileu acabou condenado por desobediência e por proferir conteúdos contra a doutrina católica, ao mesmo tempo que muitos clérigos promoviam disputas académicas calorosas adoptando uns o geocentrismo, outros o heliocentrismo. O contributo de Galileu para as ciências, e particularmente para a astronomia, teve ecos decisivos que chegaram aos nossos dias, nomeadamente, no caso do sistema de lentes que desenvolveu há 400 anos e que constituíram os antepassados dos telescópios modernos.

29.10.09

80 anos - Crash da Bolsa de Nova Iorque

Cumpriram-se, precisamente, 80 anos sobre a célebre Segunda-feira negra, de 28 Outubro de 1929, que originaria o famoso crash da Bolsa de Nova Iorque. Depois de uma década em que os mercados viveram, quase em contínuo, níveis especulativos, o crash de 29 viria alterar toda a filosofia da bolsa sendo implementadas regras de suspensão dos mercados ao menor sinal de pânico na corrida às vendas.
É interessante a teoria de Milton Friedman que sustenta que a Grande Depressão, dos anos 30, não tem necessáriamente a sua origem na queda da Bolsa, de Outubro de 29, devendo-se antes ao colapso do sistema bancário americano, resultado das três ondas sucessivas de pânico que assolaram a América, entre 1930 e 33.

22.9.09

Darwin

Se passarmos revista a algumas das publicações científicas mais famosas, o “American Journal of Science” ou o “Council of Science Editors”, verificamos que é comum a todas estas publicações a exigência feita aos cientistas de esgotarem, previamente à publicação, todas as variáveis, verosímeis e inverosímeis, relativamente à tese proposta. O objectivo é que não existam fragilidades que facilmente venham a ser delapidadas, pelas teses contrárias, fazendo-as cair por terra como castelos de cartas. As incongruências numa tese pagam-se caras, particularmente, junto da comunidade científica, sendo comum ocorrer a descredibilização do autor remetendo-o, se não definitivamente, pelo menos temporariamente, para o esquecimento. Foi por isso com alguma satisfação que recordo a notícia que dava conta, no início deste ano, - à data das comemorações dos 200 anos do nascimento de Darwin -, da aclamação definitiva, efectuada pelos seus actuais pares, da Teoria da “Origem das Espécies”. Após 150 anos de inúmeras tentativas de descredibilização e de especulações infundadas, apraz-me verificar que a tese de Darwin foi vivamente reconhecida, como a teoria que efectivamente explica a evolução do homem, de acordo com o método de selecção natural. A teoria de Darwin (bem como de Alfred Wallace, que normalmente é esquecido como co-autor da tese) deve o seu êxito porque se consubstanciou numa argumentação relativamente simples, demonstrando de forma clara, lógica e evidente, o método do “parentesco evolutivo”, afastando as justificações teleológicas até aí adoptadas. Essa simplicidade, tornou possível uma fácil adaptação aos novos desenvolvimentos científicos, levados a cabo nos últimos 150 anos, nomeadamente, aqueles que envolveram descobertas no campo da genética ou da matemática aplicada. Não deixa de ser curioso analisar algumas das teses de descredibilização de Darwin, a maior parte delas consubstanciadas em justificações teleológicas, como é o caso de algumas teorias de inspiração judaica, ou outras, como a desenvolvida por Lamark, que apelava ao fixismo das espécies, invocando a sua origem divina. Todas falharam, liminarmente, em apresentar explicações, credíveis e de forma científicamente sustentada, sobre a origem e a evolução do homem. Todas se perderam em considerações que acabaram sempre em becos divinos sem saída. Sendo meramente uma curiosa na matéria, constato que a simplicidade da tese de Darwin e as provas apresentadas foram sinónimo de longevidade. Contudo, sem dúvida, a descoberta na Etiópia, em 1974, de um esqueleto com 3,5 milhões de anos, apelidado de “Lucy” (devido à música que tocava na altura da sua descoberta: “Lucy in the sky with Diamonds” dos Beattles) – uma hominídeo Australophitecus afarensis" -, bem como aos testes de DNA efectuados, foram determinantes no reconhecimento definitivo dos princípios subjacentes à tese de Darwin, aos quais este apelou desde o primeiro momento. Não deixa de ser curioso constatar que o grau de solidez de uma tese não reside, necessariamente, na sua complexidade. Por vezes, são os argumentos mais simples, desde que devidamente comprovados, que alicerçam definitivamente e para o futuro uma teoria. As teses de Copérnico, Galileu - precursor de Newton - e, obviamente, Darwin são exemplos que a História nos comprovou disso mesmo.