6.1.10

Israel - Jerusalém - A Esplanada das Mesquitas

Estava um dia ensolarado quando subimos ao planalto do Monte Moriah. Localizado na parte sudoeste da Cidade Velha de Jerusalém, o Monte do Templo, é constituído por uma vasta área rectangular, vulgarmente denominada como a “Esplanada das Mesquitas”. Logo que acedemos ao local, é incontestável que nos apercebemos que o santuário da “Cúpula da Rocha” e a mesquita El-Aqsa, ambas datadas de 700 d.C., dominam por completo a visão em redor. Para os judeus, este é o local do "sancta sanctorum", o mais sagrado. Paradoxalmente, por cima da entrada, de uma das grandes portas da muralha, o Rabino de Jerusalém adverte em comunicado que o acesso ao local "É vedado a judeus". É considerada profanação de lugar sagrado a presença de judeus neste local, sendo o Sumo Sacerdote Judeu, o único que pode aqui entrar. A rocha, localizada debaixo do santuário muçulmano da “Cúpula da Rocha” é considerado o local onde Abraão se preparava para sacrificar o seu filho Isaac. De acordo com a tradição, foi aqui que foi construído o 1º Templo - de Salomão (1000 a.C.) – onde foi guardada a Arca da Aliança. Destruído pelos babilónicos, foi aqui que foi construído o 2º Templo – de Herodes (515 a. C.) -, destruído por Tito, em 70 d.C. do qual restou apenas a fachada oeste, hoje conhecida como Muro das Lamentações (na imagem, do lado esquerdo). Segundo a tradição judaica, é neste mesmo local que os judeus aspiram, na vinda do Messias, construír o 3º templo. Para os cristãos, o Monte está associado há pregação de Cristo, sendo referido por diversas vezes na Bíblia. Para os Muçulmanos, o Califa Adb el-Malik mandou construír, no séc: 7 d. C, sobre as ruínas do 2º Templo, a Al-Aqsa e a “Cúpula da Rocha”, duas das estruturas mais sagradas do mundo muçulmano, que atraem milhares de fiéis anualmente. De acordo com a visão islâmica, foi igualmente aqui que o Profeta Maomé parou na sua Viagem Nocturna, vindo de Meca, e ascendeu aos céus. A “Esplanada das Mesquitas” funciona como um museu virtual de arquitectura islâmica. Nem todos os locais são acessíveis aos visitantes. Aqueles que estão reservados ao culto são-nos vedados, de acordo com as leis do Corão. A "Cúpula da Rocha" é um monumento magnífico. Projectada neste local para proclamar a superioridade do Islão sobre os judeus, é um ponto de referência na Cidade Santa. Mais do que uma mesquita é um santuário. O edifício, de uma harmonia matemática, ecoa elementos de arquitectura clássica e bizantina. O interior da cúpula, tem decorações florais elaboradas. A abóboda, é revestida a folhas de ouro, o que torna este templo reconhecível em qualquer ponto de observação da cidade. Este local, controverso e reclamado por ambas as religiões, foi palco, apenas 6 semanas antes de termos aqui chegado, de confrontos violentos. Soldados israelitas, numa sexta-feira, dia santo para os muçulmanos, resolveram, numa medida de força sem precedentes, vedar o acesso à El-Aqsa, sem aparente justificação. Resultado, uma multidão enfurecida, promessas de atentados bombistas e milhares de fiéis obrigados a cumprir os seus rituais religiosos no meio da rua. Jerusalém é, aparentemente, uma cidade tranquila mas, tal como todas as cidades israelitas, mantêm a sua aparente tranquilidade debaixo de um barril de pólvora sempre pronto a explodir. Não deixa de ser curioso o facto de o acesso a judeus estar vedado à Esplanada das Mesquitas. Porém, não faltaram tropas israelitas no local, numa medida sem precedentes. É bom não esquecer que, em 2000, a visita do primeiro-ministro Ariel Sharon, a este local, foi considerada uma provocação dos judeus radicais que pretendem ver ambas as mesquitas demolidas de modo a construírem aqui o 3º Templo. Essa visita, daria origem à "Intifada da Al-Aqsa" com vários mortos e feridos contabilizados, tanto em Jerusalém como na faixa de Gaza. Parece-me que em tempo de guerra a pacificidade judaica é preterida dando lugar ao caos bíblico onde se invoca amiúde aquele Deus enfurecido que fazia chover fogo e enxofre vindo dos céus, ordenava matar cananeus "ao fio da espada" e expulsava os pecadores dos jardins do Éden. São difíceis de perceber, por vezes, os desígnios de Deus. Mas, como qualquer crente, resta-nos a resignação e acreditar que para tudo haverá uma justificação divina. Certamente, estará subjacente a profetização de uma causa nobre.


Este documentário, com a qualidade que a BBC nos habituou, é interessante pela abordagem do tema que temos em mãos. O desfecho encontra-se noutras 4 partes, disponíveis no You Tube. Para quem tiver interesse nestes assuntos, aqui fica a continuação da história. Part 2 - Part 3 - Part 4 - Part 5 Para quem quiser abreviar, o desfecho está, logicamente, na Part 5.

2 comentários:

HELENA AFONSO disse...

Olá Cristina cá venho eu beber água da fonte......
Este seu "post" é extraordinário, pelo tema, pela profundidade de detalhes, históricos, de arquitectura e religiosos, é como desfolhar a Biblia, mas infelizmente já manchada de sangue....esta é a chamada Terra Santa, onde se vê a violencia, a guerra, as atrocidades.... para quando a PAZ e a união das diferenças? Será necessário vir o novo Messias?? É um ponto de reflexão.....
Obrigada por nos recordar que o mundo está mal e há urgencia em o mudar, parabens pelo belissimo trabalho!
Beijinho, HELENA

Paralelo Longe disse...

Helena,
Obrigada pela sua msg. É lamentável a violência, a guerra, as atrocidades e, particularmente neste caso, que dois povos não consigam encontrar uma solução de coexistencia pacífica, ao fim de tantos anos. Quem atravessou um holocausto deveria toma-lo como exemplo a evitar. Mas nem sempre é assim. Os piores exemplos seguem-se expondo carácteres perversos. É inqualificável o que se passa com o povo palestiniano.E o mundo assiste impavidamente.
Comparado com estes países Portugal é um reduto de paz excelente para viver.Com este frio, há coisa melhor do que estar à lareira em paz e sossego com a família? Um abraço Helena, Cristina